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Crescendo com Afrodite

Post psiqué

No post que dedicamos ao arquétipo da deusa grega Afrodite, comentamos que não é muito fácil te-la como padrão dominante de comportamento. De acordo com a nossa proposta aqui no Ser Integral, de sempre fornecer elementos que permitam o auto conhecimento e o consequente crescimento, hoje vamos descrever uma linha de conduta evolutiva que a mulher do tipo Afrodite pode seguir para alcançar este crescimento, evolução.

Trata-se do Mito de Psiqué e Eros, uma metáfora para o crescimento  psicológico evolutivo. No mito, Psiqué era uma jovem e linda princesa, cuja beleza acabou por provocar a inveja e o ciúme de Afrodite. Para puni-la Afrodite determina que seu filho Eros – o deus do Amor – faça com que Psiqué se apaixone por uma peçonhenta serpente. Entretanto ao encontrar Psiqué, Eros acaba por ferir-se com a sua própria seta de amor, ficando perdidamente apaixonado por ela. Leva-a para seu palácio onde para protege-la da ira de Afrodite, impõe uma única condição ao seu amor: ela não pode vê-lo! Assim vivem uma relação amorosa de muita ternura e afeto mas sempre sem luz. Psiqué engravida e temerosa pela aparência de seu filho, resolve iluminar a face do marido. Surpresa com sua beleza angelical deixa cair respingos da vela e o acorda. Eros ao perceber a traição foge abandonando-a a própria sorte.

Psiqué é mulher mortal grávida, precisando recuperar Eros, seu amor, compreende que para que isso aconteça deverá submeter-se à sogra: uma Afrodite, brava, enciumada e antagonista que tudo fará para destruí-la. Ela então se apresenta à deusa Afrodite, que para testá-la lhe dá quatro tarefas.

Fique muito atenta agora: as quatro tarefas de Afrodite tem importantes significados simbólicos para os quais queremos chamar sua atenção, porque cada uma representa uma capacidade que nós mulheres necessitamos desenvolver. Cada vez que Psiqué domina uma tarefa, adquire uma habilidade que não tinha antes. É assim a vida constante desafio e aprendizado. Cada vez que nos enfrentamos e vencemos nossos desafios, nos tornamos cada vez mais próximas de quem realmente somos.

Para você que nos acompanha aqui no Ser Integral e leu nossos posts sobre as deusas, é importante observar que Psiqué, como figura mitológica, reúne características de várias deusas: é amante (como Afrodite), esposa (como Hera) e mãe grávida (como Deméter). Também como Perséfone vai ao mundo das trevas em busca do seu amado e retorna. Assim se você faz parte das mulheres que colocam os relacionamentos em primeiro lugar e reagem emocionalmente ou instintivamente aos outros, precisa (mais que as outras) desenvolver as habilidades simbolizadas pelas tarefas de Afrodite à Psiqué. Ao faze-lo pode avaliar melhor suas opções e agir decisivamente na direção dos seus objetivos e interesses.

A primeira tarefa: separar as sementes. Afrodite leva Psiqué a uma sala e mostra-lhe um monte enorme de sementes  misturadas – milho, cevada, milhete, papoula, ervilha, lentilha e feijão – determinando que que deve separá-las por espécie de semente ou grão em seu próprio monte antes do anoitecer. A tarefa seria impossível de realizar se não fosse pela inesperada ajuda de uma grande quantidade de animadas formigas, colocando cada espécie, grão em seu próprio monte.

Observe que da mesma forma, quando precisamos tomar uma decisão importante e crucial na nossa vida, a primeira ação é classificar o emaranhado de sentimentos, muitas vezes, conflituosos. Ou seja, “classificar as sementes” torna-se uma tarefa interior que exige um olhar honesto para dentro de si mesma, peneirando tudo através dos sentimentos, valores e motivos de modo que seja possível separar o que é verdadeiramente importante daquilo que é insignificante e desprovido de sentido.

Classificar as sementes exige aprender a deter-se diante de uma situação confusa, caótica e aguardar ate que surja a Clareza. E aí surgem duas possibilidades que podem ser ativadas:  a primeira é confiar “nas formigas”, aqui representando o processo intuitivo cujo trabalho está além do controle consciente OU buscar a clareza através de esforços conscientes utilizando a lógica para sistematizar, avaliar e determinar prioridade aos muitos elementos envolvidos numa decisão.

Você consegue perceber em sua vida momentos em que é importante fazer este exercício?

A segunda tarefa: adquirir alguns flocos de lã dourados. Afrodite ordenou a Psiqué que conseguisse alguns flocos de lã dourados dos terríveis carneiros do sol. Animais enormes, agressivos e providos de chifres, que costumavam ficar no campo, dando cabeçadas um no outro. Andar entre eles era certo que Psiqué seria esmagada ou vencida. Uma vez mais a tarefa parece impossível, até que um verde caniço vem em seu socorro e a aconselha a esperar pelo por do sol, ocasião que os carneiros se dispersam e se recolhem. Neste momento ela poderia apanhar com segurança fios de lã desejados, das amoreiras contra as quais os carneiros tinham se raspado, durante o dia.

Os flocos de lã dourados representam o poder que nós mulheres precisamos adquirir, sem nos destruir na tentativa de obte-lo. Quando uma mulher do tipo Afrodite ou outra deusa vulnerável (Hera/esposa), (Deméter/mãe) ou (Perséfone/filha), cujos arquétipos tratamos em posts  anteriores aqui no Ser Integral (não viu? use a procura aqui mesmo no blog/site e confira. Dedicamos um post a cada uma destas deusas) – precisa sair para o mundo competitivo onde é comum a luta  agressiva pelo poder e posição – ela pode sair ferida ou desiludida se não reconhecer os perigos do ambiente e dos seus competidores. Nesta luta pode tornar-se insensível e cínica. Daí a importância do auto conhecimento. Perceber que não é uma Atena encouraçada preparada para envolver-se na batalha da estratégia e da política, permitirá a mulher como Psiqué perceber que a sua melhor estratégia é observar, esperando e gradualmente adquirindo poder de forma indireta e com menos risco de ser “pisoteada”.

Adquirir os flocos de lã dourados sem destruir Psiqué é a metáfora para a tarefa de ganhar poder e manter a sua essência de pessoa compassiva. É uma tarefa extremamente útil no caminho e conquista da auto afirmação, além de desviar o foco de apenas expressar suas necessidades ou raiva.

A terceira tarefa: encher a jarra de cristal. Para a terceira tarefa Afrodite põe uma jarra de cristal na mão de Psiqué ordenando-lhe que deve enche-la com água de um regato proibido. Esse regato cai em forma de cascata de uma fonte no pico do mais alto rochedo íngreme até a mais ínfima profundeza do mundo subterrâneo antes de ser levado para cima através da terra para emergir uma vez mais da fonte. Metaforicamente, esse regato no qual Psiqué deve encher sua jarra, representa a corrente circular da vida.

Além disso o regato gelado é guardado por dragões o que faz com que a tarefa de encher a jarra, pareça impossível. Desta vez a ajuda vem na forma de uma águia, que simboliza a habilidade de ver a paisagem de uma perspectiva e mergulhar direto ao ponto para apoderar-se do que é necessário.

Essa é uma habilidade que a mulher do tipo Psiqué precisa desenvolver, uma vez que pela sua característica de estar sempre pessoalmente envolvida “não consegue ver a floresta por causa das árvores”.

Conseguir alguma distância emocional em seus relacionamentos, é especialmente importante para as mulheres do tipo Afrodite, de modo que possa enxergar padrões totais e selecionar detalhes importantes que lhe permitirão tomar posse do que realmente é significativo em sua vida.

A quarta e última tarefa: aprender a dizer não. Nesta última tarefa Afrodite ordena a Psiqué que desça ao mundo subterrâneo com uma pequena caixa para Perséfone encher com creme de beleza. Psiqué relaciona a tarefa com a morte. Desta vez uma torre vista ao longe vem aconselhá-la.

É uma tarefa mais difícil do que o tradicional teste de coragem e determinação do herói, porque Afrodite assim o desejou. Psiqué é informada de que encontrará pessoas patéticas que lhe pedirão ajuda, e por tres vezes ela terá que “endurecer seu coração à compaixão”, ignorar seus apelos e continuar. Se não o fizer, permanecerá para sempre no mundo das trevas.

O desafio que está posto nesta tarefa é o de estabelecer um objetivo e mante-lo frente à solicitação por ajuda. É um teste especialmente difícil para todos, exceto para as mulheres do tipo deusas virgens: Atena, Ártemis e Héstia. As maternais do tipo Deméter e as condescendentes mulheres do tipo Perséfone são as mais sensíveis às necessidades dos outros, enquanto as mulheres do tipo Hera ou Afrodite estão de alguma forma no meio.

Observe que o objetivo de obrigar Psiqué a dizer não tres vezes, é para exercitar a escolha. Muitas mulheres permitem serem molestadas e desviadas do seu próprio caminho, apenas porque não conseguem dizer não. Não conseguem realizar o seu propósito, aquilo que estabeleceram ser melhor para si mesmas, até que aprendam a dizer não.

Isso acontece com você? Percebe em si mesma as consequências desastrosas de não saber dizer não?

A idéia de trazer as quatro tarefas do mito de Psiqué é mostrar que através delas é possível crescer e evoluir. Desenvolver as forças, capacidades e potencialidades enquanto testa a coragem a determinação.

A boa notícia é que ao final da sua jornada Psiqué reconquista o amor de seu marido, o respeito de sua sogra Afrodite, mas principalmente apesar da dificuldade e agruras das duras e difíceis tarefas ela reafirma e reconhece sua natureza básica, vencendo os desafios de manter -se íntegra e verdadeira consigo mesma, valorizando e mantendo seu relacionamento com o parceiro escolhido.

Quero finalizar este post lembrando a você que no mito, para todas as tarefas Psiqué recebeu ajudas importantes, sem as quais seria impossível realizá-las. Assim também é a vida: está sempre nos presenteando com repetidas oportunidades de enfrentarmos o que tememos, aquilo de que necessitamos tomar consciência ou que necessitamos dominar, resolver, equacionar. E ao lado das oportunidades de crescimento, também apresenta as ajudas, seja através da família, dos amigos, colegas e principalmente dos terapeutas. É importante buscar e aceitar estes apoios que permitem ver com mais CLAREZA e assim ser capaz de fazer melhores escolhas de acordo com a Sabedoria Interna de cada uma.

Se você sente que é chegada a hora de buscar um apoio terapêutico que te permita ter Clareza para fazer as escolhas de que necessita, visite nossa página de Atendimentos e entre em contato conosco. Basta clicar no link:

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Esta é uma forma segura de sair da repetição dos mesmos problemas e seguir a vida para o próximo nível evolutivo.

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Um grande abraço e toda luz para sua vida!

Para saber mais:

Bolen, Jean Shinoda – As deusas e a mulher: nova psicologia das mulheres

Deméter a deusa nutridora e mãe

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Estou encantada com a interação que temos recebido com o tema das Deusas Gregas. Não acredito em acaso, portanto acho que é o resultado de  vivermos o momento da recuperação dos aspectos femininos do Ser. Conhecer o poder arquétipico da Deusa, pode ser profundamente transformador, especialmente para as mulheres que desejam curar-se das feridas do longo patriarcado, ora enfraquecido, mas ainda atuante.

Hoje então, o dia é dedicado à Deméter, a deusa do cereal, conhecida pelos romanos como Ceres (de onde se origina a palavra cereal). Venerada como uma deusa mãe, especialmente como mãe do cereal e da jovem deusa Perséfone. Foi a quarta esposa real de Zeus, precedendo Hera que foi a sétima e última esposa. Da sua união com Zeus nasceu Perséfone, com quem Deméter esteve sempre ligada no mito e no culto.

O mito de Deméter e Perséfone concentra-se ao redor da reação de Deméter ao rapto de Perséfone, pelo irmão de Deméter, Hades, deus do Inferno. Este mito tornou-se a base dos mistérios de Elêusis, os mais sagrados e importantes rituais religiosos da Grécia antiga por mais de dois séculos.

Deméter ouviu os gritos de socorro de Perséfone durante o rapto e apesar de seus esforços durante nove dias e nove noites, por terra e por mar, não conseguiu recuperá-la. Ressalte-se que durante sua busca não parou para dormir, comer ou banhar-se. Gritou pela ajuda de Zeus (o pai) mas ele sequer respondeu. Ao final do décimo dia Deméter encontrou Hécate – deusa da lua escura e das encruzilhadas que lhe sugeriu pedir ajuda a Hélio, o deus do sol.  Hélio, então revelou-lhes que Perséfone tinha sido raptada por Hades e o que era pior com a aprovação de Zeus. Além da revelação sobre o paradeiro de Deméter, Hélio também a aconselhou a aceitar o fato como consumado, afinal era a vontade do pai.

Claro que Deméter recusou o conselho, disfarçou-se de mulher velha e vagou sem ser reconhecida pelas cidades e campos, sentindo-se ultrajada e magoada pela traição de Zeus ao permitir que lhe roubasse a filha. Longe do Olimpo, permaneceu inativa em seu pesar. Abandonou seu trabalho ao qual se dedicava incessantemente ensinando aos homens o plantio e a colheita dos cereais. Decidiu não voltar ao Olimpo até que sua filha lhe fosse devolvida. Culpava a terra por ter aberto a passagem pela qual Hades levara Perséfone e disse: Ingrato solo, que tornei fértil e cobri de ervas e grãos nutritivos, não mais gozará de meus favores! Durante este período a situação se tornou caótica, a terra se tornou estéril, os grãos não germinaram, o gado morreu e a fome e as doenças ameaçavam dizimar a humanidade. Ao saber dos acontecimentos Zeus enviou mensageiros a Deméter para implorar a Deméter que voltasse. Esta, furiosa, informou que só voltaria ao Olimpo, quando Perséfone lhe fosse devolvida. Diante de sua obstinada recusa em voltar Zeus ordenou a Hades que devolvesse Perséfone à sua mãe. Depois de reunida com sua filha, Deméter devolveu a fertilidade e o crescimento à terra e também propiciou os Mistérios Eleusianos. Através dos mistérios, as pessoas encontravam razão para viver com alegria e morrer sem ter medo da morte.

A história de Deméter e Perséfone deixa claro que Deméter representa principalmente o arquétipo da mãe, representando o instinto maternal presente na gravidez ou através da nutrição física psicológica ou espiritual dos outros. Na presença deste poderoso arquétipo uma mulher poderá impactar fortemente a vida dos outros ou à sua própria com uma depressão por exemplo, na hipótese da sua necessidade de alimentar seja rejeitada ou frustrada.

Conforme você percebeu no mito o arquétipo da mãe foi representado por Deméter , cujos papéis mais importantes foram o de mãe (de Perséfone) e de fornecedora de alimentos (como deusa do cereal) e de alimento espiritual (os mistérios eleusianos). Observe que apesar da deusa Hera também ser mãe, no caso de Deméter, a filha era o relacionamento mais significativo para ela.

A mulher cujo arquétipo forte é Deméter deseja ardentemente ser mãe. É o papel que supõe a tornará realizada. Ser mãe é o papel mais importante e funcional da sua vida. O arquétipo da mãe motiva as mulheres a nutrirem os outros, a serem generosas no dar e a sentirem-se satisfeitas e plenas no papel de alguém que zela e provê a subsistência do outro. O arquétipo entretanto não está restrito apenas ao ser mãe. Também está presente quando escolhemos profissões de ajuda – ensino, enfermagem, aconselhamento ou qualquer função a qual ajudar ou educar os outros é parte do papel.

No nível biológico o arquétipo de Deméter, representa o instinto materno: o desejo de engravidar e ter um bebê. Como provedora de alimentos, ela adora amamentar seu próprio filho. Assim como tem imenso prazer em alimentar sua família e convidados.

A persistência materna é outro atributo de Deméter. Temos aí milhares de exemplos da luta das mães pelo bem estar de seus filhos, como as mães argentinas conhecidas como as “Madres de la Plaza de Mayo”que se recusaram a resignar-se com a perda dos seus filhos para a ditadura militar e mais recentemente as “Mães de Acari” que há  mais de vinte anos lutam por justiça pelo desaparecimento do seus onze filhos, na favela de Acari no Rio de Janeiro. E tantos outros exemplos famosos e não famosos de mães que nunca desistiram de seus filhos sejam quais forem as suas dificuldades.

O arquétipo da mãe proporciona tres níveis de oferta aos seus filhos: iniciam provendo suas necessidades físicas, depois apoio emocional e compreensão e finalmente tornam-se fonte de sabedoria espiritual, especialmente quando precisam ressignificar a vida.

Certamente que todos identificamos facilmente a mulher do tipo Deméter: maternal, em seus relacionamentos ela é nutridora, prestativa e doadora. Frequentemente tem a aura da Mãe Terra ao seu redor. É sensata, digna de confiança, generosa e leal para com os indivíduos e princípios, a ponto de ser considerada teimosa . Dotada de fortes convicções, não é fácil demove-la quando algo ou alguém importante para ela está envolvido.

Um aspecto interessante da mulher do tipo Deméter é que ela não compete com outras mulheres por causa de homens e realizações. Quando surge alguma inveja ou ciúme de outras mulheres, certamente será por conta dos seus filhos.

Quando o arquétipo é forte, a mulher do tipo Deméter atrai homens que sentem afinidade por mulheres maternais e curiosamente não é ela que faz a escolha do parceiro, mas responde a necessidade dele por ela, muitas vezes até por pena. Assim é importante que as mulheres tipo Deméter fiquem muito atentas aos tipos de homem que pode atrair: desde o imaturo, absorvido em si mesmo, egoísta, que busca nela o apoio que o resto do mundo lhe nega, exatamente por seu comportamento irrefletido, passando pelo sociopata, incapaz de quaisquer sentimentos, cobrando atenção e doação o tempo todo. Sua cobrança para o suprimento de suas carências acabam por suscitar a sempre generosa resposta de Deméter: dar. Este relacionamento é devastador para Deméter e pode obstruir sua vida emocional durante anos, podendo inclusive destruir sua vida financeira. A boa notícia é que existe o “homem familiar” que também se atrai pelas qualidades de Deméter: ele próprio é amadurecido, generoso e fortemente motivado pelo desejo de ter a sua família. Será um bom pai para os filhos da mulher tipo Deméter, além de estar atento a ela, ajudando-a dizer não quando necessário, evitando o esgotamento pela doação contínua.

A mulher que se identifica com Deméter age como uma deusa generosa, maternal, com uma capacidade ilimitada de prover. Seu desafio entretanto é escapar da tentação de monopolizar seus filhos, em nome do que considera seus melhores interesses (dos filhos). Algumas dessas mães vivem sempre apreensivas temendo que algo ruim aconteça ao seus filhos, limitando a independência de sua criança, desencorajando a formação de relacionamentos saudáveis com os outros. Com a intenção de proteger seus filhos pode tornar-se super dominadora, o que frequentemente resulta numa criança dependente dela para lidar com problemas e pessoas. Outro modelo negativo de mães do tipo Deméter é a que não sabe dizer não, criando filhos que crescem sentindo-se com direito a consideração especial e mal preparados para se conformar com determinadas situações. A mulher tipo Deméter que aprendeu a encorajar seus filhos à independência e ao respeito mútuo, com certeza não terá que lidar com a ‘síndrome do ninho vazio’ que fatalmente a transformará na vítima, sentindo-se triste e magoada como quando no mito teve sua filha raptada. Como no mito, permanecerá inativa, sem dar permissão para que nada de novo cresça.

A síndrome do ninho vazio pode evoluir para uma depressão agitada, na qual  pode personificar a deusa pesarosa que na sua busca por Perséfone (a filha), vagou insone, sem comer e sem banhar-se. Ou  pode sentar-se imóvel, retraída e incomunicável assumindo uma depressão severa e apática.  Tudo isso pode ser evitado se a mulher do tipo Deméter tomar quatro medidas preventivas:

1) aprender a expressar a raiva em vez de refreá-la em seu íntimo;

2) aprender a dizer não, evitando-se tornar-se esgotada, magoada e vitimada;

3) Aprender a “abrir mão e a deixar crescer” os filhos, clientes ou subordinados, evitando que se sintam ressentidos e queiram/precisem libertar-se dela;

4) e finalmente, desenvolver outras deusas em seu interior, de modo a ter interesses adicionais, além o de apenas ser mãe.

A mulher do tipo Deméter precisa ficar muito atenta à sua dificuldade de dizer não. Dizer sim a todos que precisam de nós é fazer a opção da sobrecarga. Nossos recursos não são ilimitados. Logo, ao invés do sim instintivo, que é a resposta usual de Deméter, deve ser capaz de dizer não, tanto para a pessoa que precisa de alguma coisa como para a deusa interior.

A proposta para o crescimento do arquétipo da deusa Deméter passa primeiramente pelo auto conhecimento, de modo que reconheça seus aspectos negativos (que é o maior obstáculo), – afinal sua maior identificação é com a mãe generosa, que resiste em admitir alguns sentimentos, principalmente a raiva em relação aos que ama. Mais uma vez a consciência aqui (que tanto falamos aqui no Ser Integral) é que vai fazer a diferença e tornar a tarefa de mudar o comportamento mais fácil de executar. O passo seguinte é tornar-se sua própria mãe, focando em si mesma o zeloso interesse que sente pelos outros.

Achei uma delícia pesquisar Deméter, perceber a minha identificação com alguns de seus aspectos, tanto positivos quanto os negativos e sobretudo perceber as possibilidades de crescimento com ela. Como uma experiência interior, o mito de Deméter e Perséfone fala, também, da nossa capacidade de crescer através de um sofrimento, uma dor. E principalmente saber que podemos viver através do que quer que aconteça, aprendendo que assim como na natureza, à primavera segue-se o inverno, também a experiência humana obedece a ciclos e por consequência a mudanças. Afinal o que temos de permanente na vida é de que tudo vai mudar. Graças a Deus e à Deusa que é assim. Mudar para renovar, para crescer, Evoluir.

Desejo todas uma semana abençoada e plena de paz. Continue curtindo e compartilhando nossa fanpage Ser Integral, para que mais mulheres possam acessar a energia poderosa das deusas.

Abraço carinhoso e até o próximo post.

Fonte: Wikipédia

Withmont Edward – O retorno da Deusa

Bolen S Bolen – As Deusas e a Mulher