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Crescendo com Afrodite

Post psiqué

No post que dedicamos ao arquétipo da deusa grega Afrodite, comentamos que não é muito fácil te-la como padrão dominante de comportamento. De acordo com a nossa proposta aqui no Ser Integral, de sempre fornecer elementos que permitam o auto conhecimento e o consequente crescimento, hoje vamos descrever uma linha de conduta evolutiva que a mulher do tipo Afrodite pode seguir para alcançar este crescimento, evolução.

Trata-se do Mito de Psiqué e Eros, uma metáfora para o crescimento  psicológico evolutivo. No mito, Psiqué era uma jovem e linda princesa, cuja beleza acabou por provocar a inveja e o ciúme de Afrodite. Para puni-la Afrodite determina que seu filho Eros – o deus do Amor – faça com que Psiqué se apaixone por uma peçonhenta serpente. Entretanto ao encontrar Psiqué, Eros acaba por ferir-se com a sua própria seta de amor, ficando perdidamente apaixonado por ela. Leva-a para seu palácio onde para protege-la da ira de Afrodite, impõe uma única condição ao seu amor: ela não pode vê-lo! Assim vivem uma relação amorosa de muita ternura e afeto mas sempre sem luz. Psiqué engravida e temerosa pela aparência de seu filho, resolve iluminar a face do marido. Surpresa com sua beleza angelical deixa cair respingos da vela e o acorda. Eros ao perceber a traição foge abandonando-a a própria sorte.

Psiqué é mulher mortal grávida, precisando recuperar Eros, seu amor, compreende que para que isso aconteça deverá submeter-se à sogra: uma Afrodite, brava, enciumada e antagonista que tudo fará para destruí-la. Ela então se apresenta à deusa Afrodite, que para testá-la lhe dá quatro tarefas.

Fique muito atenta agora: as quatro tarefas de Afrodite tem importantes significados simbólicos para os quais queremos chamar sua atenção, porque cada uma representa uma capacidade que nós mulheres necessitamos desenvolver. Cada vez que Psiqué domina uma tarefa, adquire uma habilidade que não tinha antes. É assim a vida constante desafio e aprendizado. Cada vez que nos enfrentamos e vencemos nossos desafios, nos tornamos cada vez mais próximas de quem realmente somos.

Para você que nos acompanha aqui no Ser Integral e leu nossos posts sobre as deusas, é importante observar que Psiqué, como figura mitológica, reúne características de várias deusas: é amante (como Afrodite), esposa (como Hera) e mãe grávida (como Deméter). Também como Perséfone vai ao mundo das trevas em busca do seu amado e retorna. Assim se você faz parte das mulheres que colocam os relacionamentos em primeiro lugar e reagem emocionalmente ou instintivamente aos outros, precisa (mais que as outras) desenvolver as habilidades simbolizadas pelas tarefas de Afrodite à Psiqué. Ao faze-lo pode avaliar melhor suas opções e agir decisivamente na direção dos seus objetivos e interesses.

A primeira tarefa: separar as sementes. Afrodite leva Psiqué a uma sala e mostra-lhe um monte enorme de sementes  misturadas – milho, cevada, milhete, papoula, ervilha, lentilha e feijão – determinando que que deve separá-las por espécie de semente ou grão em seu próprio monte antes do anoitecer. A tarefa seria impossível de realizar se não fosse pela inesperada ajuda de uma grande quantidade de animadas formigas, colocando cada espécie, grão em seu próprio monte.

Observe que da mesma forma, quando precisamos tomar uma decisão importante e crucial na nossa vida, a primeira ação é classificar o emaranhado de sentimentos, muitas vezes, conflituosos. Ou seja, “classificar as sementes” torna-se uma tarefa interior que exige um olhar honesto para dentro de si mesma, peneirando tudo através dos sentimentos, valores e motivos de modo que seja possível separar o que é verdadeiramente importante daquilo que é insignificante e desprovido de sentido.

Classificar as sementes exige aprender a deter-se diante de uma situação confusa, caótica e aguardar ate que surja a Clareza. E aí surgem duas possibilidades que podem ser ativadas:  a primeira é confiar “nas formigas”, aqui representando o processo intuitivo cujo trabalho está além do controle consciente OU buscar a clareza através de esforços conscientes utilizando a lógica para sistematizar, avaliar e determinar prioridade aos muitos elementos envolvidos numa decisão.

Você consegue perceber em sua vida momentos em que é importante fazer este exercício?

A segunda tarefa: adquirir alguns flocos de lã dourados. Afrodite ordenou a Psiqué que conseguisse alguns flocos de lã dourados dos terríveis carneiros do sol. Animais enormes, agressivos e providos de chifres, que costumavam ficar no campo, dando cabeçadas um no outro. Andar entre eles era certo que Psiqué seria esmagada ou vencida. Uma vez mais a tarefa parece impossível, até que um verde caniço vem em seu socorro e a aconselha a esperar pelo por do sol, ocasião que os carneiros se dispersam e se recolhem. Neste momento ela poderia apanhar com segurança fios de lã desejados, das amoreiras contra as quais os carneiros tinham se raspado, durante o dia.

Os flocos de lã dourados representam o poder que nós mulheres precisamos adquirir, sem nos destruir na tentativa de obte-lo. Quando uma mulher do tipo Afrodite ou outra deusa vulnerável (Hera/esposa), (Deméter/mãe) ou (Perséfone/filha), cujos arquétipos tratamos em posts  anteriores aqui no Ser Integral (não viu? use a procura aqui mesmo no blog/site e confira. Dedicamos um post a cada uma destas deusas) – precisa sair para o mundo competitivo onde é comum a luta  agressiva pelo poder e posição – ela pode sair ferida ou desiludida se não reconhecer os perigos do ambiente e dos seus competidores. Nesta luta pode tornar-se insensível e cínica. Daí a importância do auto conhecimento. Perceber que não é uma Atena encouraçada preparada para envolver-se na batalha da estratégia e da política, permitirá a mulher como Psiqué perceber que a sua melhor estratégia é observar, esperando e gradualmente adquirindo poder de forma indireta e com menos risco de ser “pisoteada”.

Adquirir os flocos de lã dourados sem destruir Psiqué é a metáfora para a tarefa de ganhar poder e manter a sua essência de pessoa compassiva. É uma tarefa extremamente útil no caminho e conquista da auto afirmação, além de desviar o foco de apenas expressar suas necessidades ou raiva.

A terceira tarefa: encher a jarra de cristal. Para a terceira tarefa Afrodite põe uma jarra de cristal na mão de Psiqué ordenando-lhe que deve enche-la com água de um regato proibido. Esse regato cai em forma de cascata de uma fonte no pico do mais alto rochedo íngreme até a mais ínfima profundeza do mundo subterrâneo antes de ser levado para cima através da terra para emergir uma vez mais da fonte. Metaforicamente, esse regato no qual Psiqué deve encher sua jarra, representa a corrente circular da vida.

Além disso o regato gelado é guardado por dragões o que faz com que a tarefa de encher a jarra, pareça impossível. Desta vez a ajuda vem na forma de uma águia, que simboliza a habilidade de ver a paisagem de uma perspectiva e mergulhar direto ao ponto para apoderar-se do que é necessário.

Essa é uma habilidade que a mulher do tipo Psiqué precisa desenvolver, uma vez que pela sua característica de estar sempre pessoalmente envolvida “não consegue ver a floresta por causa das árvores”.

Conseguir alguma distância emocional em seus relacionamentos, é especialmente importante para as mulheres do tipo Afrodite, de modo que possa enxergar padrões totais e selecionar detalhes importantes que lhe permitirão tomar posse do que realmente é significativo em sua vida.

A quarta e última tarefa: aprender a dizer não. Nesta última tarefa Afrodite ordena a Psiqué que desça ao mundo subterrâneo com uma pequena caixa para Perséfone encher com creme de beleza. Psiqué relaciona a tarefa com a morte. Desta vez uma torre vista ao longe vem aconselhá-la.

É uma tarefa mais difícil do que o tradicional teste de coragem e determinação do herói, porque Afrodite assim o desejou. Psiqué é informada de que encontrará pessoas patéticas que lhe pedirão ajuda, e por tres vezes ela terá que “endurecer seu coração à compaixão”, ignorar seus apelos e continuar. Se não o fizer, permanecerá para sempre no mundo das trevas.

O desafio que está posto nesta tarefa é o de estabelecer um objetivo e mante-lo frente à solicitação por ajuda. É um teste especialmente difícil para todos, exceto para as mulheres do tipo deusas virgens: Atena, Ártemis e Héstia. As maternais do tipo Deméter e as condescendentes mulheres do tipo Perséfone são as mais sensíveis às necessidades dos outros, enquanto as mulheres do tipo Hera ou Afrodite estão de alguma forma no meio.

Observe que o objetivo de obrigar Psiqué a dizer não tres vezes, é para exercitar a escolha. Muitas mulheres permitem serem molestadas e desviadas do seu próprio caminho, apenas porque não conseguem dizer não. Não conseguem realizar o seu propósito, aquilo que estabeleceram ser melhor para si mesmas, até que aprendam a dizer não.

Isso acontece com você? Percebe em si mesma as consequências desastrosas de não saber dizer não?

A idéia de trazer as quatro tarefas do mito de Psiqué é mostrar que através delas é possível crescer e evoluir. Desenvolver as forças, capacidades e potencialidades enquanto testa a coragem a determinação.

A boa notícia é que ao final da sua jornada Psiqué reconquista o amor de seu marido, o respeito de sua sogra Afrodite, mas principalmente apesar da dificuldade e agruras das duras e difíceis tarefas ela reafirma e reconhece sua natureza básica, vencendo os desafios de manter -se íntegra e verdadeira consigo mesma, valorizando e mantendo seu relacionamento com o parceiro escolhido.

Quero finalizar este post lembrando a você que no mito, para todas as tarefas Psiqué recebeu ajudas importantes, sem as quais seria impossível realizá-las. Assim também é a vida: está sempre nos presenteando com repetidas oportunidades de enfrentarmos o que tememos, aquilo de que necessitamos tomar consciência ou que necessitamos dominar, resolver, equacionar. E ao lado das oportunidades de crescimento, também apresenta as ajudas, seja através da família, dos amigos, colegas e principalmente dos terapeutas. É importante buscar e aceitar estes apoios que permitem ver com mais CLAREZA e assim ser capaz de fazer melhores escolhas de acordo com a Sabedoria Interna de cada uma.

Se você sente que é chegada a hora de buscar um apoio terapêutico que te permita ter Clareza para fazer as escolhas de que necessita, visite nossa página de Atendimentos e entre em contato conosco. Basta clicar no link:

https://serintegralsaude.wordpress.com/atendimentos/

Esta é uma forma segura de sair da repetição dos mesmos problemas e seguir a vida para o próximo nível evolutivo.

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http://bit.ly/Seularemeequilibrio

Reservamos um presentão para com você com dicas muito especiais para cuidar da sua energia e da energia dos ambientes de sua casa.

Um grande abraço e toda luz para sua vida!

Para saber mais:

Bolen, Jean Shinoda – As deusas e a mulher: nova psicologia das mulheres

Descobrindo a sua Deusa II

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Olá pessoal, estou muito feliz de retomar este assunto com vocês e como prometi no post passado (se você não leu ainda, aqui está o link…http://bit.ly/descobrindo-a-sua-deusa) vamos compartilhar um pouco mais da deusa virgem Héstia e em seguida vamos iniciar com as outras duas deusas virgens Ártemis e Atenas.

Aqui no Ser Integral entendemos que a prática produz os melhores resultado.  Experienciar é transformar-se. Conhecer as deusas é o primeiro passo para nossa expansão de consciência e entendimento de quem somos. A partir do conhecimento das características de cada uma delas, seremos capazes de ativar sua força em nós, através do desenvolvimento de ações ou de invocações da força particular de cada uma.

Para ativar e reforçar Héstia, por exemplo, praticar a meditação pode resultar num sentimento de calma e centramento para empreender sua rotina diária. Outra dica é invocá-la, fazendo um esforço consciente para ver, sentir ou compreender sua presença – imaginação criativa – e depois solicitar sua força particular dizendo: “Héstia honre-me com sua presença, traga-me paz e serenidade”. Ela é um arquétipo de centralização interior. Aquele “ponto tranquilo” que permite à mulher permanecer em equilíbrio no meio da confusão, desordem ou afobação. Héstia pode ser encontrada na calma solidão e sentimento de ordem que advém da manutenção contemplativa da própria casa.

Se você não é uma mulher do tipo Héstia, experimente passar um tempo com ela, acessando o seu aspecto interior quieto, centrado em si mesma. O desafio é conquistar e achar este espaço, porque em geral estarão tão envolvidas com as necessidades dos outros, sem tempo para um momento só seu, na paz do seu Ser Interno.

Outras características das mulheres tipo Héstia: não apreciam a competição no trabalho, podendo destacar-se em profissões cujos atributo sejam a calma e a paciência. Não aprecia conversa fiada, nem discussões intelectuais e políticas. Seu dom é ouvir com o coração compassivo, proporcionando aos que lhe trazem problemas, um lugar caloroso ao lado de sua lareira. A sexualidade não é muito importante para ela, em geral apreciam o sexo quando acontece e ficam tranquilas na sua ausência. No casamento, embora às vezes pareça dependente, permanece centrada em si mesma e mantém sua autonomia interior. Não precisa de um homem para sentir-se emocionalmente completa. Sua vida sem ele não perderia seu significado ou propósito.

Héstia tem a capacidade de envelhecer graciosamente, porque já traz em si alguma coisa “antiga e sábia”. Sente-se bem vivendo sozinha e consegue atravessar com serenidade as duas maiores crises emocionais que as mulheres costumam enfrentar: o ninho vazio e a viuvez. O maior desafio de Héstia é quando tem que enfrentar o mundo exterior e não se preparou ao longo da vida.

Você se identificou com a deusa Héstia? Qual o sentimento que esta identificação te traz?

Compartilhe conosco. Outras mulheres poderão beneficiar-se da sua experiência. Pesquise e aprenda mais sobre ela e seja cada vez mais feliz sendo você mesma. Única!

Agora vamos conhecer um pouco de Ártemis e Atenas, as outras duas deusas virgens, cujas qualidades são exemplificadas por mulheres que seguem suas próprias inclinações para se tornarem profissionais competitivas, feministas ativas. Em geral para desenvolverem seus talentos e focarem na busca do seu valor pessoal, elas evitam o desempenho dos papéis tradicionais das mulheres: esposa e mãe por exemplo.

Ártemis, conhecida como Diana pelos romanos, era a deusa da caça e da lua. Personifica o espírito feminino independente e seu arquétipo possibilita a uma mulher procurar seus próprios objetivos onde quer que deseje. Como deusa virgem era imune a apaixonar-se e seu arquétipo representa um sentido de integridade, uma-em-si-mesma.

Você se identifica com a atitude de “sei cuidar de mim”? Atitude que lhe permite agir por conta própria, com auto confiança e espírito independente? Esse arquétipo possibilita à mulher sentir-se completa sem um homem, podendo sair buscando seus interesses e trabalhos que sejam significativos para si mesma, sem precisar da aprovação masculina. Sua identidade e senso de valor fundamentam-se sobre quem ela É e faz.

Ártemis representa as qualidade idealizadas pelo movimento feminista – empreendimento e competência, independência dos homens e das opiniões masculinas e unidas na defesa dos atormentados, mulheres fracas e jovens. Suas preocupações conduzem as mulheres a se organizarem na defesa de pessoas estupradas, às mulheres sexualmente hostilizadas e refúgio para as mulheres maltratadas. Também enfatizam o parto cuidadoso, preocupando-se com o incesto e a pornografia, motivadas pelo desejo de evitar o mal às mulheres e crianças, punindo aqueles que praticam tais danos. Ártemis representa a grande irmã de todas as mulheres.

No trabalho Ártemis é movida por ideais, causas em que acredita ou coisas que experimentou gostou e acha que também podem ser boas e úteis para os demais. Considera a amizade com as outras mulheres muito importante. Costuma ter e cultivar as “melhores amigas” com as quais compartilham tudo que é significativo em suas vidas, cujas amizades eventualmente podem durar décadas e até uma vida inteira.

As mulheres orientadas pelo arquétipo da deusa Ártemis consideram que os relacionamentos tem importância secundária ao trabalho, carreira, projetos criativos ou causas que consideram fundamentais. Sexo, portanto, é muitas vezes vivenciado como um esporte recreativo ou uma experiência física de intimidade emocional e compromisso. Daí que o casamento, está muitas vezes distante do seu propósito de vida, especialmente nos primeiros anos de vida que está envolvida e ocupando seu tempo com o trabalho e as causas. Muitas delas hoje preferem viver com um homem do que se casar com ele. Tem pouca ou nenhuma vocação para ser mãe, mas gosta de crianças. Quando tem seus filhos, é um tipo de mãe que encoraja seus filhos à independência e a se defenderem sozinhos. Não olham para trás com saudades do seus filhos pequenos e indefesos. Pelo contrário olham para frente, para o momento em que serão independentes.

O desafio das mulheres do tipo Ártemis é vencer e equilibrar a distância emocional que lhe é característica: está sempre tão concentrada e atenta aos seus próprios objetivos que falha em não notar os sentimentos dos que estão ao seu redor. Em consequência desta falta de atenção, os que estão ao redor e se interessam por ela, sentem-se insignificantes e excluídos e muitas vezes magoados e com raiva. Precisa, então, desenvolver a compaixão e a empatia (capacidade de colocar-se no lugar do outro). Isto costuma acontecer, naturalmente, com a maturidade. A experiência que a vida proporciona  – através de sofrimentos, julgamentos e fracassos que sempre ocorrem em algum momento da nossa trajetória – e dos quais a mulher do tipo Ártemis também não escapa, acaba por ensiná-la a se tornar mais vulnerável e compreensiva. É o tempo em que descobre que as pessoas e as coisas são mais complexas do que parecem; perdoa a si própria e aos outros por cometer tanto erros como acertos. Essa compreensão produz misericórdia em seu coração.

Se você se identificou com o arquétipo da deusa Ártemis não deixe que a competição e a jornada focada para atingir seus objetivos a impeçam de deixar brotar os sentimentos de amor e compaixão. É muito importante fazer paradas para refletir sobre a trajetória que está percorrendo e para onde ela conduz. Afinal como dizia o mestre Castaneda:

“Um caminho é só um caminho, e não há desrespeito a si ou aos outros em abandoná-lo, se é isto que o coração nos diz…

Examine cada caminho com muito cuidado e deliberação.

Tente-o muitas vezes, tanto quanto julgar necessário.

Só então pergunte a você mesmo, sozinho, uma coisa…

Este caminho tem coração?

Se tem, o caminho é bom,

se não tem, ele não lhe serve.

Um caminho é só um caminho.

Carlos Castaneda

Na próxima semana encerramos esta etapa com as deusas virgens quando falaremos sobre o arquétipo da deusa Atenas, a deusa da Sabedoria, das Artes que dominava as estratégias com maestria.

Você está gostando de saber como a energia das deusas nos influencia ainda hoje? Então curta, compartilhe nossos posts na fanpage Ser Integral. Ajude a divulgar estes conteúdos que podem fazer diferença na vida de outras mulheres, que neste momento estão se sentindo como “ovelhas negras”, num mundo patriarcal e machista que discrimina os que fogem dos estereótipo.

Um grande abraço, uma semana iluminada e plena de significado. Nos vemos no próximo post.

Fonte:

As deusas e a mulher – Jean S Bolen – Ed Paulus

Descobrindo a sua Deusa

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“Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores”. Cora Coralina

Esta semana escreverei para todas as mulheres que como eu, a inesquecível poetisa goiana Cora Coralina e como você que me acompanha aqui no Ser Integral, sentimos na pele a necessidade de estar em harmonia conosco mesmas, com nossas deusas e sobretudo com nossa própria Alma.

Sem esta harmonia seremos usadas como fantoches, criticadas, julgadas, seguiremos vacilantes pelo caminho, com dificuldades de toda sorte para sermos verdadeiras e coerentes com o nosso Ser Interno, nossos valores e sentimentos. Ou seja estaremos nos perdendo de nós mesmas e perdendo a oportunidade de vivenciarmos nosso caminho de individuação. Para Carl Gustav Jung individuação é o tornar-se Um consigo mesmo e ao mesmo tempo com a humanidade toda, em que também nos incluímos.

Um dos caminhos para esta harmonia está na tomada de consciência de que nós mulheres somos influenciadas por poderosas forças interiores, os arquétipos, e também por forças exteriores igualmente poderosas que são os estereótipos.

Para nosso melhor entendimento vamos definir os arquétipos (forcas interiores) ou imagens primordiais como padrões de comportamento instintivo contidos no inconsciente coletivo (a parte mais profunda do inconsciente humano). E são inúmeros. Estudados pelos mais diversos campos das ciências.  Neste texto nossos arquétipos serão personificados pelas deusas gregas.

Já os estereótipos (forças externas) são os papéis que a sociedade criou para todos nós, em especial as mulheres e exigem ou pelo menos esperam que nos comportemos de acordo com cada um deles. Alguns destes papéis são nossos velhos conhecidos: mãe, esposa, filha e irmã etc…

Agora que pincelamos um pouquinho sobre este tema tão complexo e profundo você pode estar se perguntando: o que podem as deusas mitológicas gregas de um passado patriarcal tão distante, nos ajudar em nosso momento presente ou no futuro de oportunidades iguais para todos nós, homens e mulheres?

Este conhecimento querida amiga, nos empodera. Segundo Jean Shinoda Bolen, as “deusas” são forças poderosas e invisíveis que modelam o comportamento e influenciam as emoções.  Portanto, conhecer quais as “deusas” são as forças dominantes em seu íntimo, permite que a mulher aquira auto conhecimento a respeito:

da força de certos instintos;

das prioridades e habilidades;

das possibilidades de encontrar significado pessoal através de escolhas que nem todos poderiam encorajar;

fazer escolhas conscientes que darão rumo às suas vidas.

Ter conhecimento e consciência destes poderosos padrões internos – os arquétipos/deusas – permitirá entender as principais diferenças entre as mulheres.  Ou seja permitirá compreendermos que algumas de nós precisam da monogamia, do casamento ou dos filhos para se sentirem realizadas. Outras dão mais valor à sua independência e buscam realizar seus objetivos nesta área. Diferindo daquelas que buscam intensidade emocional por exemplo em novas experiências e relacionamentos. E ainda tem aquelas que procuram a solidão, descobrindo que a sua espiritualidade lhe traz completude e significado. 

Percebe a importância deste conhecimento? Tem interesse em saber qual a deusa ou deusas estão atuando neste momento em sua vida? Sim, porque quanto mais complicada for a mulher, ou mais complicada seja a fase da vida que está vivenciando, é muito provável que muitas deusas estejam atuando nela. O conhecimento das deusas proporciona às mulheres um meio de auto conhecimento, de conhecimento dos seus relacionamentos com homens e mulheres, com seus pais, namorados e filhos. Os padrões das deusas também podem oferecer preciosos insights para reconhecermos aquilo que é motivador, frustrante, satisfatório e até compulsivo em nossas vidas.

Animada para conhecer qual a sua deusa, ou as deusas que estão agora predominando em sua vida? Sim, porque não precisamos permanecer dominadas pelo arquétipo de uma única deusa, nem sermos obrigadas a vivenciar todas elas. Fundamental é descobrir nosso próprio mito, construir nossa própria história, privilegiando nossa escolha interna, ancoradas nos valores com os quais nos identificamos. Exatamente como escreveu Lêda Maas em seu prólogo à edição brasileira do livro “As Deusas e a Mulher” de Jean S Bolen: “Que a característica básica da mulher – participar muito de perto da criação, do nascimento – não sirva mais para lhe tirar o direito mais sagrado: nascer enquanto mulher, ser dona do seu desejo e vivenciar os diferentes aspectos das deusas em sua vida”.

Nas próximas semanas vamos falar de algumas das mais famosas deusas do Olimpo grego, dividindo-as em tres categorias: as deusas virgens, as deusas vulneráveis e as alquímicas ou transformativas.

Começamos com a deusa virgem Héstia, a Vesta dos romanos, era a menos conhecida dos deuses olímpicos. Era representada nas casas e templos como a chama no centro da lareira, ou mias especificamente pelo fogo queimando numa lareira redonda.

As deusas virgens representam a qualidade de independência e auto suficiência das mulheres. Os afetos emocionais não as desviavam daquilo que consideravam importante. Não eram atormentadas e não sofriam. Como arquétipos elas representam a necessidade de autonomia e capacidade que as mulheres tem de focar sua percepção naquilo que de fato faz sentido para elas e tem significado pessoal. Héstia é a deusa virgem que foca sua atenção interior para o centro espiritual da personalidade de uma mulher. Héstia, juntamente com Ártemis e Atenas (as outras duas deusas virgens) formam os arquétipo femininos que buscam ativamente seus próprios objetivos. São elas que ampliam nossa noção de atributos femininos, para incluir competência e auto suficiência.

Um aspecto importante das deusas virgens é o da mulher que não pertence a um homen ou  é enigmática para ele – não é afetada pela necessidade de um homem ou pela necessidade de ser aprovada por ele. Ela existe completamente separada dele, em seu próprio direito. Aqui vale esclarecer que quando uma mulher vivencia um arquétipo de virgem, isso representa um aspecto seu que é psicologicamente virginal e não que ela seja fisicamente ou literalmente virgem.

O arquétipo Héstia se traduz no aprendizado através do olhar o interior para sentir intuitivamente o que está se passando. O modo hestiano nos permite entrar em contato com nossos valores internos, focando no que é pessoalmente significativo e importante. Esse enfoque também permite perceber a essência, além de proporcionar clareza no meio da confusão que às vezes se apresenta aos nossos cinco sentidos.

Se você é daquelas mulheres que acham que cuidar da casa é uma atividade significativa e não tanto uma tarefa, Héstia é um dos seus arquétipos ativos. A mulher que adquire um sentimento de harmonia interior quando executa as tarefas diárias da sua casa, está em comunicação direta com esse aspecto do arquétipo de Héstia. Cuidar dos detalhes do lar, é uma atividade fundamental para ela, equivalente à meditação. Ou seja, se Héstia é o arquétipo, quando termina suas tarefas, sente-se bem interiormente. Perceba a diferença de Atenas que se sente realizada e de Ártemis que simplesmente se acalma porque uma tarefa terminada, livra-a de fazer alguma coisa mais.

Com Héstia como presença interior, a mulher não fica “ligada”às pessoas, às consequências, posses, prestígio ou poder. Sente-se completa como é. Seu ego não está em jogo. Pelo fato de sua identidade não ser importante ela não fica ligada às circunstancias externas. Ela portanto não se torna exultante ou arrasada pelo que acontece. Ela tem

A liberdade interior dos desejos corriqueiros,

A libertação da ação e do sofrimento,

A Libertação da compulsão interior e exterior,

Por uma graça de senso, uma luz branca tranquila

e em movimento.

T. S. Elliot, The Four Quartets.

Identificou-se com Héstia? Conhece alguém que tem estas características? Compartilhe este texto com ela. É muito valioso e reconfortante quando nos reconhecemos num arquétipo e percebemos que não estamos sós em nosso caminho evolutivo do auto conhecimento.

Conhecer e navegar pelo mundo arquetípico das deusas da mitologia grega é fascinante. Espero que tenha gostado até aqui, porque nas próximas semanas vamos continuar com os desafios de Héstia, Atenas e Ártemis concluindo assim nossa viagem pelo universo das deusas virgens.

Eu desejo a você uma semana linda e cheia de propósito. Gratidão por prestigiar nosso trabalho aqui no Ser Integral, cujo maior propósito é nos fortalecer e empoderar enquanto mulheres.

Grande abraço. Curta e Compartilhe o Ser Integral.

Carl Gustav Jung – Psiquiatra e Psicoterapeuta suíço que fundou a psicologia analítica. Propôs e desenvolveu os conceitos da personalidade extrovertida e introvertida, arquétipos e o inconsciente coletivo.

 Para saber mais:

As Deusas e a Mulher – Jean Shinoda Bolen – Ed Paulus