Descobrindo a sua Deusa

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“Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores”. Cora Coralina

Esta semana escreverei para todas as mulheres que como eu, a inesquecível poetisa goiana Cora Coralina e como você que me acompanha aqui no Ser Integral, sentimos na pele a necessidade de estar em harmonia conosco mesmas, com nossas deusas e sobretudo com nossa própria Alma.

Sem esta harmonia seremos usadas como fantoches, criticadas, julgadas, seguiremos vacilantes pelo caminho, com dificuldades de toda sorte para sermos verdadeiras e coerentes com o nosso Ser Interno, nossos valores e sentimentos. Ou seja estaremos nos perdendo de nós mesmas e perdendo a oportunidade de vivenciarmos nosso caminho de individuação. Para Carl Gustav Jung individuação é o tornar-se Um consigo mesmo e ao mesmo tempo com a humanidade toda, em que também nos incluímos.

Um dos caminhos para esta harmonia está na tomada de consciência de que nós mulheres somos influenciadas por poderosas forças interiores, os arquétipos, e também por forças exteriores igualmente poderosas que são os estereótipos.

Para nosso melhor entendimento vamos definir os arquétipos (forcas interiores) ou imagens primordiais como padrões de comportamento instintivo contidos no inconsciente coletivo (a parte mais profunda do inconsciente humano). E são inúmeros. Estudados pelos mais diversos campos das ciências.  Neste texto nossos arquétipos serão personificados pelas deusas gregas.

Já os estereótipos (forças externas) são os papéis que a sociedade criou para todos nós, em especial as mulheres e exigem ou pelo menos esperam que nos comportemos de acordo com cada um deles. Alguns destes papéis são nossos velhos conhecidos: mãe, esposa, filha e irmã etc…

Agora que pincelamos um pouquinho sobre este tema tão complexo e profundo você pode estar se perguntando: o que podem as deusas mitológicas gregas de um passado patriarcal tão distante, nos ajudar em nosso momento presente ou no futuro de oportunidades iguais para todos nós, homens e mulheres?

Este conhecimento querida amiga, nos empodera. Segundo Jean Shinoda Bolen, as “deusas” são forças poderosas e invisíveis que modelam o comportamento e influenciam as emoções.  Portanto, conhecer quais as “deusas” são as forças dominantes em seu íntimo, permite que a mulher aquira auto conhecimento a respeito:

da força de certos instintos;

das prioridades e habilidades;

das possibilidades de encontrar significado pessoal através de escolhas que nem todos poderiam encorajar;

fazer escolhas conscientes que darão rumo às suas vidas.

Ter conhecimento e consciência destes poderosos padrões internos – os arquétipos/deusas – permitirá entender as principais diferenças entre as mulheres.  Ou seja permitirá compreendermos que algumas de nós precisam da monogamia, do casamento ou dos filhos para se sentirem realizadas. Outras dão mais valor à sua independência e buscam realizar seus objetivos nesta área. Diferindo daquelas que buscam intensidade emocional por exemplo em novas experiências e relacionamentos. E ainda tem aquelas que procuram a solidão, descobrindo que a sua espiritualidade lhe traz completude e significado. 

Percebe a importância deste conhecimento? Tem interesse em saber qual a deusa ou deusas estão atuando neste momento em sua vida? Sim, porque quanto mais complicada for a mulher, ou mais complicada seja a fase da vida que está vivenciando, é muito provável que muitas deusas estejam atuando nela. O conhecimento das deusas proporciona às mulheres um meio de auto conhecimento, de conhecimento dos seus relacionamentos com homens e mulheres, com seus pais, namorados e filhos. Os padrões das deusas também podem oferecer preciosos insights para reconhecermos aquilo que é motivador, frustrante, satisfatório e até compulsivo em nossas vidas.

Animada para conhecer qual a sua deusa, ou as deusas que estão agora predominando em sua vida? Sim, porque não precisamos permanecer dominadas pelo arquétipo de uma única deusa, nem sermos obrigadas a vivenciar todas elas. Fundamental é descobrir nosso próprio mito, construir nossa própria história, privilegiando nossa escolha interna, ancoradas nos valores com os quais nos identificamos. Exatamente como escreveu Lêda Maas em seu prólogo à edição brasileira do livro “As Deusas e a Mulher” de Jean S Bolen: “Que a característica básica da mulher – participar muito de perto da criação, do nascimento – não sirva mais para lhe tirar o direito mais sagrado: nascer enquanto mulher, ser dona do seu desejo e vivenciar os diferentes aspectos das deusas em sua vida”.

Nas próximas semanas vamos falar de algumas das mais famosas deusas do Olimpo grego, dividindo-as em tres categorias: as deusas virgens, as deusas vulneráveis e as alquímicas ou transformativas.

Começamos com a deusa virgem Héstia, a Vesta dos romanos, era a menos conhecida dos deuses olímpicos. Era representada nas casas e templos como a chama no centro da lareira, ou mias especificamente pelo fogo queimando numa lareira redonda.

As deusas virgens representam a qualidade de independência e auto suficiência das mulheres. Os afetos emocionais não as desviavam daquilo que consideravam importante. Não eram atormentadas e não sofriam. Como arquétipos elas representam a necessidade de autonomia e capacidade que as mulheres tem de focar sua percepção naquilo que de fato faz sentido para elas e tem significado pessoal. Héstia é a deusa virgem que foca sua atenção interior para o centro espiritual da personalidade de uma mulher. Héstia, juntamente com Ártemis e Atenas (as outras duas deusas virgens) formam os arquétipo femininos que buscam ativamente seus próprios objetivos. São elas que ampliam nossa noção de atributos femininos, para incluir competência e auto suficiência.

Um aspecto importante das deusas virgens é o da mulher que não pertence a um homen ou  é enigmática para ele – não é afetada pela necessidade de um homem ou pela necessidade de ser aprovada por ele. Ela existe completamente separada dele, em seu próprio direito. Aqui vale esclarecer que quando uma mulher vivencia um arquétipo de virgem, isso representa um aspecto seu que é psicologicamente virginal e não que ela seja fisicamente ou literalmente virgem.

O arquétipo Héstia se traduz no aprendizado através do olhar o interior para sentir intuitivamente o que está se passando. O modo hestiano nos permite entrar em contato com nossos valores internos, focando no que é pessoalmente significativo e importante. Esse enfoque também permite perceber a essência, além de proporcionar clareza no meio da confusão que às vezes se apresenta aos nossos cinco sentidos.

Se você é daquelas mulheres que acham que cuidar da casa é uma atividade significativa e não tanto uma tarefa, Héstia é um dos seus arquétipos ativos. A mulher que adquire um sentimento de harmonia interior quando executa as tarefas diárias da sua casa, está em comunicação direta com esse aspecto do arquétipo de Héstia. Cuidar dos detalhes do lar, é uma atividade fundamental para ela, equivalente à meditação. Ou seja, se Héstia é o arquétipo, quando termina suas tarefas, sente-se bem interiormente. Perceba a diferença de Atenas que se sente realizada e de Ártemis que simplesmente se acalma porque uma tarefa terminada, livra-a de fazer alguma coisa mais.

Com Héstia como presença interior, a mulher não fica “ligada”às pessoas, às consequências, posses, prestígio ou poder. Sente-se completa como é. Seu ego não está em jogo. Pelo fato de sua identidade não ser importante ela não fica ligada às circunstancias externas. Ela portanto não se torna exultante ou arrasada pelo que acontece. Ela tem

A liberdade interior dos desejos corriqueiros,

A libertação da ação e do sofrimento,

A Libertação da compulsão interior e exterior,

Por uma graça de senso, uma luz branca tranquila

e em movimento.

T. S. Elliot, The Four Quartets.

Identificou-se com Héstia? Conhece alguém que tem estas características? Compartilhe este texto com ela. É muito valioso e reconfortante quando nos reconhecemos num arquétipo e percebemos que não estamos sós em nosso caminho evolutivo do auto conhecimento.

Conhecer e navegar pelo mundo arquetípico das deusas da mitologia grega é fascinante. Espero que tenha gostado até aqui, porque nas próximas semanas vamos continuar com os desafios de Héstia, Atenas e Ártemis concluindo assim nossa viagem pelo universo das deusas virgens.

Eu desejo a você uma semana linda e cheia de propósito. Gratidão por prestigiar nosso trabalho aqui no Ser Integral, cujo maior propósito é nos fortalecer e empoderar enquanto mulheres.

Grande abraço. Curta e Compartilhe o Ser Integral.

Carl Gustav Jung – Psiquiatra e Psicoterapeuta suíço que fundou a psicologia analítica. Propôs e desenvolveu os conceitos da personalidade extrovertida e introvertida, arquétipos e o inconsciente coletivo.

 Para saber mais:

As Deusas e a Mulher – Jean Shinoda Bolen – Ed Paulus

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